Por que algumas decisões profissionais são tão difíceis?
Tomar uma decisão de carreira pode parecer, à primeira vista, uma questão bastante objetiva.
Continuar ou mudar de trabalho. Aceitar ou recusar uma proposta. Assumir uma nova posição. Conversar com a liderança. Mudar de área. Começar um projeto.
Diante de escolhas assim, é comum buscar informações, comparar possibilidades, conversar com pessoas de confiança e fazer uma lista de prós e contras.
Tudo isso pode ajudar.
Ainda assim, algumas decisões continuam difíceis mesmo quando as alternativas parecem bastante claras.
Isso acontece porque uma decisão profissional raramente envolve apenas aspectos profissionais.
O que também está sendo colocado em jogo?
Uma mudança de trabalho pode representar uma oportunidade interessante e, ao mesmo tempo, significar deixar para trás uma posição construída durante anos.
Uma promoção pode ser desejada, mas também trazer dúvidas sobre estar preparado para uma responsabilidade maior.
Colocar um limite no trabalho pode ser necessário, embora venha acompanhado do receio de como isso será interpretado.
Recusar uma oportunidade pode fazer sentido e ainda provocar a sensação de estar decepcionando alguém.
Em situações como essas, salário, cargo, benefícios e perspectivas de carreira fazem parte da análise. Mas não são os únicos elementos presentes.
Também entram nessa conta nossas expectativas, experiências anteriores e a maneira como interpretamos aquilo que podemos ganhar, perder ou colocar em risco.
Quando pensar mais não resolve
Diante de uma decisão difícil, uma reação bastante comum é tentar encontrar segurança pensando mais.
A pessoa revisa os cenários, imagina consequências, conversa novamente sobre o assunto e procura prever o que acontecerá depois de cada escolha.
Esse processo pode ser útil até certo ponto.
A dificuldade aparece quando pensar repetidamente deixa de trazer informações novas e passa apenas a alimentar as mesmas dúvidas.
“E se eu me arrepender?”
“E se eu não der conta?”
“O que vão pensar da minha decisão?”
“E se eu estiver deixando passar uma grande oportunidade?”
A busca por uma certeza absoluta pode acabar tornando a decisão ainda mais difícil.
O que a TCC pode ajudar a compreender
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, não olhamos apenas para a decisão em si.
Também buscamos compreender os pensamentos e significados associados àquela situação e como eles influenciam emoções e comportamentos.
Duas pessoas diante da mesma oportunidade profissional, por exemplo, podem vivê-la de maneiras completamente diferentes.
Para uma, assumir uma nova posição pode representar crescimento.
Para outra, pode despertar principalmente o medo de falhar e decepcionar quem confiou nela.
A situação pode ser semelhante. O significado atribuído a ela pode ser bastante diferente.
Por isso, compreender uma decisão também envolve observar o que acontece internamente diante dela.
Uma pergunta diferente
Quando uma escolha permanece difícil por muito tempo, talvez seja útil ir além de:
“Qual é a melhor opção?”
E acrescentar outra pergunta:
“O que está tornando essa decisão tão difícil para mim?”
Pode aparecer o medo de errar, a necessidade de aprovação, a preocupação com a opinião de outras pessoas, o receio de perder segurança ou até a dificuldade de abrir mão de uma identidade profissional construída ao longo dos anos.
Reconhecer esses aspectos não oferece uma resposta pronta sobre qual caminho seguir.
Mas pode tornar mais claro o que realmente está participando daquela escolha.
E isso já muda a qualidade da decisão.
Felipe de Carvalho Sobral
Psicólogo | CRP 06/93069
Psicoterapia para adultos | Presencial em São Paulo e online